13 de abr de 2018

[Resenha] A Joia

em 13 de abr de 2018

8 comentários
Livro: A Joia #1
Série: A Cidade Solitária
Autora: Amy Ewing
Editora: Fantasy (selo da LeYa)
Páginas: 351
Gênero: Fantasia
Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐💗
Joias significam riqueza, são sinônimo de encanto. A Joia é a própria realeza. Para garotas como Violet, no entanto, a Joia quer dizer uma vida de servidão. Violet nasceu e cresceu no Pântano, um dos cinco círculos da Cidade Solitária. Por ser fértil, Violet é especial, tendo sido separada de sua família ainda criança para ser treinada durante anos a fim de servir aos membros da realeza. Agora, aos dezesseis anos, ela finalmente partirá para a Joia, onde iniciará sua vida como substituta. Mas, aos poucos, Violet descobrirá a crueldade por trás de toda a beleza reluzente - e terá que lutar por sua própria sobrevivência. Quando uma improvável amizade oferece a Violet uma saída que ela jamais achou ser possível, ela irá se agarrar à esperança de uma vida melhor. Mas uma linda e intensa paixão pode colocar tudo em risco! Em seu livro de estreia, Amy Ewing cria uma rede de intrigas e reviravoltas na qual os ricos e poderosos estão mais envolvidos do que se possa imaginar, e onde o desejo por saber o destino de Violet manterá o leitor envolvido até a última página.


Gosto demais quando um livro foge totalmente do que é proposto na sinopse. A fuga é de tal maneira que você espera encontrar muito um elemento, e no final vê a importância e o enfoque em outro. A Joia é assim: possui uma sinopse onde aparenta ter somente romance, no entanto a história tem um viés fantástico e político sem igual. Estou até agora de queixo caído!

Violet Lasting não é mais seu nome. Vendida para ser substituta da Casa do Lago — as substitutas tem como única e exclusiva função ser “barriga de aluguel” — ela percebe que nem tudo que aprendeu, nem tudo que soube é a verdade. Violet sempre questionou a vida que teve, sempre contestou o modo como o sistema funciona, e ela se vê mais questionadora quando acaba se apaixonado por Ash Lockwood. Ash é um acompanhante da sobrinha da Duquesa, e por isso o amor vivido pelos dois é proibido. Ela se verá em um dilema onde sua vida é importante para tentar mudar a realidade de várias substitutas, e a Duquesa do Lago parece ter planos específicos para o nascimento do próximo filho. Tendo fantasia inserida — toda substituta possui uma espécie de magia em 3 níveis de Presságios que ajudam a melhorar e interferem no bebê gerado — esta é uma história surpreendente.


Juro que nunca fui tão enganada no resumo — só Os Garotos Corvos vence. O foco descrito com o foco real é uma comparação de água e vinho: são opostos. Enquanto se espera algo voltado mais ao romance, o desenvolvimento se estende para a fantasia/distopia de forma fenomenal. Me senti “enganada”, mas no bom sentido porque os gêneros embasados estão entre meus favoritos. No entanto, o quanto já ouvi de comparação com A Seleção e que faz muita gente fugir me deixa triste, porque em conteúdo eles são realmente diferentes.

Trazendo informações do universo criado de forma gradual na narrativa, lemos as páginas querendo saber mais e mais dos elementos de base daquele mundo, além dos acontecimentos do dia-a-dia da protagonista. Primeiro que muita coisa que a autora traz é única — mulheres como barrigas de aluguel, magia ligada a algo específico, a hierarquia do reino, a forma como o mundo é divido — e isso por si só é um dos motivos que te suga para as páginas; segundo que nossa personagem principal, apesar da pouca idade, tem temperamento que traz tensões pontuais no desenvolvimento; terceiro que ainda temos um romance, que abala muitas situações e dá motivos para outros acontecerem. 300 páginas parece que é muito, entretanto torna-se pouco com o quão maravilhoso tudo é.

"Falam sobre nós como se fôssemos um animal de estimação ou um cavalo premiado. Como se não pudéssemos ouvi-las. Como se nem estivéssemos ali." pág. 97

E temos um final que te deixa ansiosa e louca para o próximo. Amy Ewing sabe fazer o leitor roer unhas. É um fim cheio de ação, cheio de drama que faz jus a tudo lido na trama. Se tem uma dosagem acertada entre fazer a narrativa andar ao mesmo tempo que situa o leitor no ambiente imaginado, é este aqui. É uma forma agradável e que não cansa durante a leitura. Se eu me perguntava o que algo significava, mais a frente tinha-se a explicação necessária.

Em grande número encontra-se plots twists, reviravoltas que mexem com o todo, com o planejado, mudando decisões e atitudes. Teve momentos que eu me perguntava em como algum ponto ia se reverter, se desenvolver e acabava sendo surpreendida. Acho que isso é o que mais me fez gostar da obra: ser diferente de várias coisas que li e por ter uma alta quantidade de revelações. Alguns assuntos são de grande relevância a serem debatidos e que trazem reflexão por trás. Principalmente esse papel da mulher pobre como servir apenas para procriação. Vale uma boa olhada sobre o assunto pois será de suma importância para o andamento da trilogia. 


Violet foi uma protagonista que me deixou um pouco em dúvida do que esperar. Ela é inconstante em várias cenas, na iminência de ser irritante em alguns momentos. Atribuo isso a idade que ela foi caracterizada, porém quando começou a entender e a se rebelar contra o que lhe era imposto ficou melhor. Me lembrou um pouco a Katniss de Jogos Vorazes, principalmente quando não entendia a sua importância em função das outras substitutas. É alguém que torço muito para crescer nos sucessores e que se souber moldar, criará uma ótima personagem principal. Ash por mais que dê grande destaque no romance, ainda não mostrou para o que veio realmente. Espero vê-lo mais ativamente nos próximos.

De uma forma geral saio maravilhada com A Joia. Não era uma leitura planejada. Precisava de algo inovador e que me deixasse de boca aberta, e garanto que isto acontece do início ao fim. Fico triste pela pouca divulgação que tem sobre a mesma — cheguei a ir na sessão de autógrafos no Rio de Janeiro onde até o momento que fiquei tinha somente 2 pessoas para autografar — e tenho receios que talvez a editora não lance o terceiro. O que resta é esperar, e indicar a todos os fãs de fantasia/mistério e até os de romance podem arriscar! Não se arrependerão.

"Talvez eu seja egoísta demais para ser uma salvadora de substitutas. Não importa. Fiz uma escolha. Afora tenho que cuidar das reparações." pág. 341

Na parte física é que está o maior problema. A capa ficou comparativa com outra série, A Seleção, fazendo com que o cerne principal se perca. Mais uma vez falo que não se trata somente de um romance, e trazer uma capa que o enfoque é este, confunde o leitor. Eu mesma se não fosse pela vinda da autora não teria comprado. O título tem ligação com o conteúdo, então é bem encaixado. Não encontrei erro de revisão. A narrativa é feita em primeira pessoa pelo ponto de vista da nossa mocinha.

Saio tão maravilha que pretendo emendar no segundo volume. Espero que ele me conquiste tanto quanto o primeiro, e pelo final deixado tem bastante coisa boa pela frente. Ansiosa! Espero que tenham gostado!

E vocês, conheciam A Joia? Já tinha ouvido falar? Deixa nos comentários!

8 comentários :

  1. Só pela quantidade de quotes marcados eu percebo que o livro é bom. Não conhecia o livro, mas saber que saiu maravilhada com a leitura, já vale a pena. Vou ficar na torcida pelo terceiro volume e espero que seja tão bom quanto esse.

    Abraços.
    https://cabinedeleitura0.blogspot.com.br/

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  2. Eu adorei a capa rs mas ficou sim parecida com a seleção. Eu adorei a resenha, gosto desse estilo de história, mas com a faculdade desanima umpouco ler sagas. Quem sabe ano que vem já formada não embarco nessa?
    Bjos flooor

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  3. Oi Ana.

    Eu adoro livro que consegue trazer algo inovador e me deixa de boca aberta durante a leitura. Pela sua resenha este livro consegue deixar o leitor nessa maneira. Vou adicionar na lista porque eu não tinha muito interesse em lê-lo, mas sua resenha deixou alguns detalhes que chamou atenção.

    Bjos
    http://historiasexistemparaseremcontadas.blogspot.com.br/

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  4. Que livro lindo. Adorei sua resenha, amo ler fantasia e a história parece ser muito boa. Gostei da capa. Ainda não conhecia esse livro. Obrigado pela dica.

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  5. A sinopse desse livro, junto com a capa, acaba enganando legal mesmo. Também gostei bastante da leitura.
    Beijos
    Mari
    Pequenos Retalhos

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  6. Oi Ana,
    Eu vejo muita gente falando dessa trilogia, e acho as capas lindas, mas não li Seleção e não sabia o que esperar. Mas agora com a sua resenha, fiquei bem curiosa, adorei saber que a premissa é muito mais complexa do que a sinopse demonstra.
    Adorei a resenha.

    Beijokas

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  7. Ola lindona amei a temática do livro, foge bem do que vemos por ai, amo distopia e fantasia então pode me enganar a sinopse rss. A capa está linda, gostei muito dos pontos destacados em sua resenha. Vou ler com certeza. beijos

    Joyce
    Livros Encantos

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  8. Olá!
    Desde que foi lançado esse livro tenho uma certa curiosidade em lê-lo. Vou confessar que o que me chamou a atenção foi a capa. Mas depois de ler a sua resenha vejo que esse livro tem muito mais a oferecer.
    Amei a sua resenha e assim que puder vou ler o livro.
    Beijinhos!

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