Livro: A Maldição do Mar
Autora: Shea Ernshaw
Editora: Galera Record
Páginas: 320
Gênero: Fantasia / Jovem Adulto
Nota: ⭐⭐⭐⭐+ 0,5
*exemplar cedido pela editora*
Quando corpos de garotos começam a aparecer no litoral da cidade de Sparrow, alguns moradores se perguntam se a antiga lenda sobre as bruxas vingativas seria verdade. Mas até onde essa caça às bruxas pode levar? Há dois séculos, três irmãs foram condenadas à morte por, supostamente, cometerem bruxaria. Pedras foram amarradas em seus tornozelos, e elas morreram afogadas nas águas profundas que margeiam a cidade. Agora, por um breve período de tempo – a cada dia primeiro de junho até o solstício de verão –, diz a lenda que as irmãs retornam, roubando os corpos de três meninas para que, por meio deles, possam buscar sua vingança, seduzindo e afogando meninos até a morte. Como muitos habitantes locais, Penny Talbot, conhece a lenda de cor. Mas, neste ano, quando a cidade se prepara para o anual retorno das irmãs, um rapaz desconhecido, Bo Carter, chega à cidade buscando suas próprias respostas. E Penny o acolhe. Mas quando corpos de meninos locais começam a aparecer no litoral, o clima de desconfiança e medo atinge a cidade, dando início a uma verdadeira caça às bruxas. A narrativa alterna, os eletrizantes eventos do presente com relatos do diário das jovens condenadas por bruxaria, resultando em um thriller sobrenatural inesquecível.
Adorei A Maldição do Mar! Certamente sou aquele tipo leitora que ama histórias envolvendo mitologias e o mar, desde que sejam bem feitas — inclusive, aceito mais indicações — então, nem seria grande surpresa ser conquistada. É uma fantasia de volume único encantadora.
A cidade litorânea de Sparrow sofre de uma maldição que se repete todo ano. Há dois séculos, três irmãs foram condenadas à morrerem afogadas por, supostamente, cometerem bruxaria. Anualmente, no primeiro dia de Junho, elas assumem os corpos de três meninas da localidade para se vingar daqueles que a condenaram — matando meninos. Penny Talbot é uma jovem que conhece profundamente a história. Quando em um novo ciclo da maldição ela conhece Bo Carter, e o acolhe, a última coisa que Penny quer é que ele morra. Será que Penny conseguirá manter Bo vivo? O que há por trás das lendas das irmãs Swan mortas?
Posso me considerar um pouco suspeita para falar de desenvolvimentos que abordem e exaltam elementos marítimos pois, já na premissa tinha a intuição que seria atraída pelo enredo. E felizmente, foi o que ocorreu. Desde as primeiras páginas o livro demonstra para o que veio, e de forma dinâmica somos inseridos nesse universo de lenda e mortes. Gosto do fato de que a narrativa, em espaçados intervalos, recapitula coisas do passado que envolva a maldição das irmãs. Isso faz com que ela seja minuciosamente elaborada e explicada, tendo o adicional de assimilarmos amplamente o que culminou a existência dessa crença na localidade — a autora faz a mescla de características ímpares e diferenciadas, com outras conhecidas no gênero.
O livro traz muitas circunstâncias que brincam com variadas incógnitas. Essa mistura da fantasia com um quê de mistério e sobrenatural deu super certo, o que me fez devorar a obra. A escrita da Shea Ernshaw também ajuda sendo extremamente fluída, e a medida que descobertas e revelações vão ocorrendo, ficamos roendo as unhas esperando as consequências desses atos.
"Mas hesito. Assassinato. É precisamente o que é. Chamar de maldição não mascara a verdade do que acontece aqui todos os anos: assassinato. Premeditado. Violente, cruel, bárbaro. Monstruoso, até. Duzentos anos de morte. Uma cidade revivendo um passado que não pode mudar, pagando o preço ano após ano. Olho por olho. Engulo em seco, sentido uma dor no peito, nas entranhas. Tão previsível como a maré e a lua. Altos e baixos. A morte vem e vai." pág. 74
Sobre o romance, posso classificá-lo como algo primordial da obra — afinal, uma das grandes reviravoltas, senão a maior, tem embasamento na temática. Ele se apresenta de modo um pouco acelerado, no entanto nada que possa incomodar fortemente. O que me deixou levemente desconfortável, foi a forma de finalizá-lo na qual fiquei com uma sensação agridoce — não posso falar muito sem soltar spoilers, então quem já leu, posso conversar melhor.
Acompanhamos um grupo de personagens centrais, e dentre eles temos em destaque a Penny. Por observamos as situações pelo seu ponto de vista, é fácil adentrarmos e compreendermos seus problemas e impasses. Vou confessar que fiquei relutante em me aproximar dela, por diversos motivos e desconfianças, que inclusive, foram comprovados posteriormente. Penny só me cativou após essa barreira inicial ser ultrapassada, e justamente por conta desse aproximação tardia, é que não considero o desfecho 100% perfeito.
É de se pensar que por existir a construção de incógnitas e mistérios, automaticamente teremos uma crescente expectativa da exposição dessas informações. O que de certa forma, é o que acontece. A partir delas são arquitetadas reviravoltas, que fazem com que várias teorias e novos caminhos surjam, e que fiquemos presos na leitura. Acabei acertando um dos grandes desdobramentos da trama por conta de algumas pistas deixadas, contudo nada que atrapalhe ou apague o brilhantismo do recurso. Creio eu, que os leitores assíduos de contextos parecidos, podem adivinhar e achar óbvio o plot twist.
Como falei anteriormente, o final me deixou um sentimento agridoce porque apesar de ter achado que a autora acertou em específicas escolhas, outras não concordei, principalmente no âmbito que envolve o casal principal. Como esse não era meu enfoque de atração no título, de forma geral ele não se transforma em um ponto negativo.
"As irmãs teceram a própria sorte, como alguém que toca um arbusto de hera venenosa no escuro, indiferente às consequências que viriam pela manhã." pág. 104
A Maldição do Mar é uma ótima indicação para quem está a procura de um livro único de fantasia com altas doses de romance. Apesar das ressalvas faladas, adorei toda a experiência de leitura, e tem seus méritos de qualidade. Espero que possam dar uma oportunidade, e recomendo!
Na parte física, dificilmente uma capa dessa não nos impressionaria. Achei linda, e é com certeza é o primeiro chamariz para o exemplar — acertado a escolha feita pela Galera Record. A diagramação é a padrão da editora, contendo um texto espaçado e confortável de ler, sem grandes detalhes nas folhas. Não encontrei erro de revisão ou ortográfico. A narrativa é feita em primeira pessoa pelo ponto de vista da Penny, majoritariamente. Existe capítulos em terceira pessoa com um narrador-observador.
Torço que tenham gostado da resenha, e possam conhecer A Maldição do Mar. Vamos papear!? Me digam se já conheciam, querem ler ou já leram, o que acharam da proposta? Deixa nos comentários!