Livro: A Ascensão da Rainha #1
Série: A Ascensão da Rainha
Autora: Rebecca Ross
Editora: Galera Record
Páginas: 378
Gênero: Fantasia / Jovem Adulto
Nota: ⭐⭐⭐⭐+ 0,5
*exemplar cedido pela editora*
Uma rainha deve subir ao trono. Cabe a ela decidir quem. Brienna desejava apenas duas coisas: dominar a paixão de conhecimento e ser escolhida por um patrono. Os anos que passou em Magnalia, uma das mais renomadas instituições de Valenia, deveriam tê-la preparado para isso. Enquanto a maioria das aprendizes nasce com o dom e a herança para se dedicar a uma das cinco paixões – arte, música, teatro, sagacidade e conhecimento –, a jovem órfã penou até encontrar seu caminho no conhecimento, mas talvez seus estudos não tenham sido suficientes. Quando o fracasso parece incontornável, um senhor cheio de segredos oferece a Brienna seu patrocínio. Ela aceita com relutância, suspeita de suas intenções, e acaba envolvida em uma conspiração perigosa para derrubar o rei de Maevana – o reino rival de Valenia – e reconduzir a rainha legítima, e sua magia, ao trono. Na iminência de uma guerra, Brienna, que é maevana por parte de pai, deverá escolher a quem será leal: ao seu sangue ou à sua paixão?
A Ascensão da Rainha — primeiro volume da duologia de mesmo nome — da autora Rebecca Ross foi uma grata surpresa. É uma alta fantasia com aventuras, magia e conspirações políticas. Fui fisgada totalmente pelo título, que comecei sem grandes pretensões.
Brienna saiu de casa, ainda criança, para ser instruída e dominar uma paixão na renomada instituição Magnalia. E ao completar 17 anos, ela seria escolhida por algum patrono e ganharia o seu título de mestra, além do manto da paixão dominada correspondente. No entanto, nada do planejado foi o que realmente aconteceu. Diferente das suas colegas que nasceram com o dom e a herança para executar as paixões, Brienna teve que lutar pelo seu lugar. E talvez, o tempo que dedicou a paixão conhecimento, não tenha sido suficiente. Em uma última chance para o não fracasso completo, algo inesperado faz com que um patrono incomum surja, onde Brienna agora estará participando de uma conspiração para que o verdadeiro dono do trono de Maevana, possa subir. O único problema é que Maevana é o reino rival de Valenia. E sendo metade maevana e metade valenia, ela terá que escolher um lado. Qual será?
Para mim, o enredo é de um estilo que melhora a medida que conhecemos esse universo. Um mundo onde a magia existe, onde os reinos, as guerras e as hierarquias são tópicos para que uma grande estratégia política com tomada de poder torne-se a emblemática principal. Felizmente, a autora conseguiu cumprir a missão de fazer o leitor visualizar esse mundo, sendo uma característica super positiva do conteúdo. Não creio que ele complexo e detalhado quando comparado ao que pode ser estruturado ao longo de uma trilogia ou série — que tem tempo e mais páginas para ser moldado — porém, existe elementos suficientes para o entendimento desse aspecto.
Além disso, sou apaixonada por contextos que retratam ambientes de época, praticamente voltados ao antigo sistema feudal — onde a tecnologia não se faz presente — e aqui temos muito desse tipo funcionamento, o que me animou e deu um gás para a leitura. Penso que essa particularidade potencializa uma alta fantasia, onde seus componentes ímpares podem ganhar notoriedade e atenção. O elemento mágico é um dos assuntos em destaque da narrativa, engradecida pela necessidade da volta da mesma ao trono. Ao se associar a uma conjuntura com uma sociedade de séculos passados, ela ganha maior importância.
"Era a diferença gritante entre Maevana e Valenia, dois países no meio dos quais eu estava dividida. Queria me sentir à vontade com o vestido elegante e a pinta de estrela, mas também desejava encontrar minha herança na armadura e na tinta azul. Tinha vontade de portar uma paixão, mas também queria saber como segurar uma espada." pág. 53
Sobre os personagens, Brienna me arrebatou. Por ser jovem, acreditei que seria propícia a ter comportamentos duvidosos. Contudo, ela se mostrou madura para a sua idade, e soube lidar com a responsabilidade imbuída. Uma protagonista que cresceu a medida que as coisas aconteciam, e terminou diferente da menina que conhecíamos no início. Sem falar, que mesmo com um romance despontando em circunstâncias, não se deixou levar somente pelas emoções. Apesar de apreciar um bom romance em fantasias, o título não é um que faz a temática ser um dos pontos principais — ainda que ele seja presente ao longo das páginas, sua construção é secundária.
Não posso deixar também de citar as ressalvas, pois acho que as problemáticas da conjuntura se resolveram de modo fácil demais. Os obstáculos foram solucionados rapidamente, dando uma sensação que alcance do objetivo final foi simplório — e quem lê o gênero, sabe bem que nada se resolve simplesmente. Em decorrência dessa questão, não temos reviravoltas ou grandes situações de impactos, em minha opinião. Ainda que específicas revelações ou desdobramentos possam nos aturdir, de modo geral foi uma leitura com uma cadência linear. No meu ponto de vista, isso não é uma circunstância ruim. Só não agrada todos os leitores.
O ápice da obra está nos instantes finais, onde cenas épicas são deflagradas. O esperado embate decorre, e a partir dele o desfecho é moldado. Imagino que esse livro, a princípio, seria volume único porque seu fim não deixa pontas soltas — todo o ciclo concebido foi concluído. Contudo, novos trajetos podem ser explorados, e suponho que é a partir daí que a Rebecca Ross fez o segundo volume da duologia. Tenho expectativas para esse sucessor.
De uma forma geral, A Ascensão da Rainha é uma ótima indicação aos fãs do gênero. Para um primeiro volume temos uma envolvente história, que conquista. Recomendo!
"Mas eu estava pronta. Para encontrar a pedra e redimir as transgressões passadas do meu ancestral. Para colocar uma rainha no trono. Para voltar até Cartier e ganhar meu manto." pág. 222
Na parte física, a capa é bonita e possui referências com a parte interna. Ademais, temos um sumário, um glossário de personagens e árvore genealógica — um adendo importante: não veja a árvore genealógica antes de ler, tem spoilers. A diagramação possui detalhes nos inícios de capítulos, com um espaçamento de texto confortável de ler. Não encontrei erros ortográficos ou de revisão. A narrativa é feita em primeira pessoa pelo ponto de vista da Brienna.
Espero que tenham gostado, e possam dar uma oportunidade. Agora me digam: conheciam A Ascensão da Rainha? O que acharam da proposta? Leriam? Deixa nos comentários!