Livro: Sangue e Mel #2
Série: Pássaro & Serpente
Autora: Shelby Mahurin
Editora: Galera Record
Páginas: 517
Gênero: Fantasia / Romance
Nota: ⭐⭐⭐⭐+ 0,5
Após o incidente no Modraniht, Lou, Reid, Coco e Ansel estão fugindo não apenas do coven das Dames Blanches, mas com mesma intensidade do reino e da igreja. Eles se tornaram, agora, verdadeiros fugitivos destituídos de um abrigo para garantir sua proteção e segurança. Para sobreviver, eles precisarão não apenas de organização e estratégia, mas, sobretudo, cúmplices. Aliados fortes. E, na companhia constante uns dos outros... um pouco de paciência. No entanto, à medida que o desespero de Lou intensifica, um lado sombrio de sua magia se manifesta com cada vez mais frequência – uma versão de seu próprio e complexo poder que pode custar a Reid algo que ele não pode jamais arriscar perder. Mas Reid, obstinado, não parece inclinado a abandonar sua promessa. Sempre leal e unido a Lou, seus votos foram incontestáveis: aonde ela for, ele irá. Até que a morte os separe.
Sangue e Mel é a aguardada continuação de Pássaro e Serpente, um livro de fantasia que conquistou muitos leitores quando lançado. E comigo, não foi diferente. Estava ansiosa para descobrir os novos desdobramentos desse universo, e Shelby Mahurin conseguiu manter em altar a história, na qual, saio roendo as unhas para Deuses e Monstros. A resenha é sem spoilers, tudo bem? Vamos lá!
Após o ocorrido no Modraniht, Lou e Reid juntos de Beau, Ansel e Coco tornam-se fugitivos da igreja, do reino e das bruxas do coven das Dames Blanches. Sem lugar para se esconder ou ir, eles precisam elaborar um plano de sobrevivência — especialmente Lou que necessita resolver o impasse envolvendo ela e a mãe. Cada qual atormentado pelas suas dores e incertezas, não será fácil manter a união entre eles tão estável, ainda mais quando a magia de Lou começa a alterá-la, fazendo com que pague um preço cada vez mais alto por seu uso. Reid não vê com bons olhos essa mudança, e na realidade, no fundo repudiar a magia ainda é um traço que faz parte dele. Até onde essa relação sobreviverá com as diferenças, e principalmente, quando há necessidade de se fazer escolhas? Será que Reid se abrirá para entender o que é realmente a magia? E Lou, o que fará na guerra entra ela e sua mãe? Por que a magia está a alterando?
Um dos aspectos que mais amo nesse livro, é o fato da escrita da autora ser extremamente fluída e atrativa, assim como ocorreu no antecessor. Shelby nos presenteia com um desenvolvimento cheio de nuances e características próprias desse ambiente, que nos faz devorar as páginas. Ainda que o enredo siga caminhos tortuosos — ou opte por escolhas capciosas —, é indiscutível o fato da cadência da narrativa nos prender. A forma como as situações são apresentadas, elaboradas e destrinchada é instigante, de forma que o leitor acaba focando cem por cento da sua atenção no livro.
Na minha opinião, Sangue e Mel consegue ser um segundo volume diferente de muitos outros que também fazem parte de trilogias. Geralmente a tendência é a segunda parte amornar o andamento, mas aqui houve uma construção abrangente, que serviu para esse mundo. Houve expansão dos elementos de fantasia — novos seres sobrenaturais, explicações de funcionamento da magia e reino — houve romance, drama, tensão e ápices de construção, que no fim, tornam-se pontos positivos da leitura.
"— A cobra e o seu pássaro, o pássaro e sua cobra, tomam e quebram e sofrem, sofrem, sofrem..." pág. 139
Sobre os personagens, permaneço com a convicção da Lou ser uma das melhores protagonistas femininas que já conheci no gênero, pois ela possui uma personalidade impactante dentro do contexto. E justamente por conta de seu comportamento e atitudes fortes, o limiar entre o certo e o errado é ultrapassado. Erros acontecem, deslizes também, só que o mais importante é que ela aprende com os mesmos. Amadurecimento e evolução são palavras-chaves dos protagonistas por aqui, pois Reid igualmente comete equívocos, e cresce com os tropeços.
E falando mais sobre o nosso caçador, gradativamente ele vem me conquistando, o que faz com que minhas perspectivas sobre ele venham mudando, sendo algo positivo — altas chances de no terceiro ser tombada totalmente por ele. Fechando esse grupo intenso, temos Ansel, Coco e Beau que cada vez mais tornam-se presentes e necessários no decorrer, quando qual com suas qualidades e defeitos, onde o leitor também cria um laço afetivo com eles.
E se está a espera de eventos surpreendentes ou reviravoltas chocantes, as páginas finais do exemplar serão um prato cheio nesse quesito. Como ele é resultado de algo que vem sendo arquitetado desde o início, chegamos nessa parte roendo as unhas. Ele cumpre seu papel de ser eletrizante, capaz de nos deixar boquiaberto. Confesso que chorei demais com um dos resultados — e pensar que quando ele começou a ser desenhado, falava para mim mesma que a única coisa que não podia se desdobrar, era essa alternativa — no entanto, existe um propósito plausível por trás.
Como se não fosse suficiente esse nervosismo deixado, óbvio que o desfecho seria em aberto, para ficarmos exponencialmente apreensivos. Shelby Mahurin, pelo amor de deus, que ideia de cliffhanger foi essa?! Uma nova revelação é feita quase no fim, essa que transforma-se em um gancho para o que sucederá.
"Você vê a magia como uma arma, Reid, mas está equivocado. Ela simplesmente...existe. Se quiser usá-la para ferir, vai ferir, e se quiser usá-la para salvar..." pág. 220
De uma forma geral, Sangue e Mel deixa em alta a trilogia Pássaro e Serpente! O conteúdo ascende, é de qualidade e curioso, na qual, todo leitor amante de uma boa fantasia com romance tem chances de adorar — principalmente se leu o primeiro e gostou. Recomendo demais!
Na parte física, a capa segue um padrão, já visto no antecessor, muito bonita e chamativa. A diagramação segue o padrão da Galera Record, contendo um texto espaçado e confortável de ler. Encontrei alguns erros de revisão, entretanto nada alarmante e bem esporádico, além de encontrarmos uma narrativa em primeira pessoa pelos pontos de vista da Lou e do Reid, alternados.
O terceiro volume, Deuses e Monstros, já está confirmado para esse ano, então nos resta aguardar. Espero que tenham gostado e possam dar uma oportunidade. Agora me digam: conheciam Sangue e Mel ou Pássaro e Serpente? O que acham da proposta? Leriam? Deixa nos comentários!
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