28
set
2022

[Resenha] O Mar Sem Estrelas, Erin Morgenstern

Livro: O Mar Sem Estrelas
Autora: Erin Morgenstern
Editora: Morro Branco
Páginas: 544
Gênero: Fantasia
Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐
Quando Zachary Ezra Rawlins descobre um misterioso livro escondido na biblioteca de sua universidade, isso o leva a uma busca como nenhuma outra. Em meio a suas inebriantes narrativas sobre prisioneiros apaixonados e cidades perdidas, ele se depara com algo impossível: uma história de sua própria infância. Determinado a obter respostas que este livro sem título ou autor se recusa a prover, Zachary deve seguir as únicas pistas que encontra na capa – uma abelha, uma chave e uma espada. Em seu caminho, surgem duas pessoas que mudarão o curso de sua vida: Mirabel, uma impetuosa pintora de cabelos cor-de-rosa, e Dorian, um belo e enigmático homem descalço. Navegando por bailes de máscaras e sociedades secretas, este é só o início de uma missão que o levará a um estranho labirinto subterrâneo, às margens do Mar Sem Estrelas. Um mundo maravilhoso de túneis sinuosos, cidades perdidas, amantes eternos e histórias a serem preservadas, custe o que custar…


O Mar Sem Estrelas é meu primeiro contato com a autora Erin Morgenstern, e fico encantada com a escrita dela — o que me motivou a futuramente ler O Circo da Noite. Apesar do hype, não coloquei altas expectativas na história, no entanto o que posteriormente se mostrou benéfico pois me surpreendi. Sem dúvidas, é uma das minhas melhores leituras do ano!

Zachary Ezra Rawlins, quando pequeno, se deparou como uma porta desenhada em um muro, perto de casa. Uma porta pintada de forma muito bonita, quase realista, que o fez acreditar que poderia atravessá-la e parar em algum lugar. Uma porta que parecia que o chamava, entretanto não se arriscou. Anos depois, na biblioteca da faculdade, Zachary encontra um livro antigo sem muitas informações: sem copyright, sem autor e nem outros detalhes que pudesse rastreá-lo. Curioso sobre, resolve pegar emprestado e lê-lo no quarto. O que ele não esperava, é que esse livro narrasse um episódio da vida dele que nunca contou para ninguém: o dia em que viu uma porte desenhada em um muro. Instigado pelo fato de uma coisa da vida pessoal dele estar dentro daquelas páginas, Zachary tentará descobrir o que seria isso tudo. Logo, ele se depara com um local chamado Mar Sem Estrelas, que possui cidades perdidas, histórias a serem preservadas e amantes eternos. Que conexão é essa?


Um desenvolvimento ímpar. Se eu tivesse que resumir o enredo desse título seria com essa palavra. O impacto dos primeiros capítulos quando você tenta assimilar eles com a sinopse é algo que te tira da zona de conforto, no bom sentido. Uma construção de histórias dentro de histórias, com elementos de biblioteca, livros e magia é um tipo de conjuntura que acho bem complexo de ser trabalhado, pelo fato de ter um ar de clichê, mas quando perfeitamente executado, pode ser fenomenal. Erin Morgenstern consegue criar um universo que mescla a realidade e o fictício, que te faz pensar em variadas alternativas e caminhos ao longo do andamento. Assim como o personagem principal, questionar esse mundo, ponderar sobre suas peculiaridades faz parte da nossa compreensão da leitura.

Com uma escrita beirando o poético, adentramos o conteúdo com sede de desvendar os mistérios. O que é O Mar Sem Estrelas? Onde fica? Ainda existe? Traçar junto do protagonista os caminhos das revelações e respostas é capaz de nos deixar com os olhos brilhando e maravilhados com as perspectivas. Ainda que algumas resoluções e informações fiquem em aberto, — deixando a imaginação a solta para preencher essas lacunas — o modo como as pequenas coisas são elucidadas é sensacional. É uma obra que traz distintas narrativas nas páginas, narrativas essas que não aparentam possuir conexão. Porém, quando se entremeiam, temos a percepção do quanto temos um livro único em mãos.

"— Nunca terei uma resposta satisfatória a essa pergunta, Ezra — ela diz, acompanhando as palavras com um sorriso triste. — Esta é a toca do coelho. Quer saber o segredo para sobreviver depois de cair nela?" pág. 173

Sobre os personagens, só tenho elogios formidáveis. Zachary é um jovem curioso, e na sua busca de entender o que está acontecendo, nos mostra um pouco de quem ele é e qual seu papel na trama. Não somente, mas junto de Dorian, Deuses, acólitos, guardiões e abelhas, temos um grupo um tanto instigante. Novamente, a forma como a vida dessas pessoas se entrelaçam, ganhando moldes e contornos, é formidável.

A partir do momento que o leitor consegue compreender o fio condutor dessa jornada, facilmente assimilamos os desdobramentos e desfechos. Por isso, quando esse mundo transforma-se em algo mirabolante demais, não torna-se chocante a possibilidade dessa vertente. Infinitas possibilidades são criadas, assim como infinitos contextos. O importante é o leitor estar aberto a desbravar esse universo, sem delimitações. O impressionante existe!


De uma forma geral, recomendo muito O Mar Sem Estrelas! Sendo um volume só de fantasia, é uma excelente indicação para aqueles que querem se arriscar no gênero sem ter que aventurar em granes séries. Vocês não arrependerão de conhecerem!

Na parte física, ele é em capa dura com uma arte nacional lindíssima — apesar de preferir a internacional, confesso, a nossa tem seu charme. Na diagramação temos pequenos detalhes nos inícios de capítulos, com um texto espaçado e confortável de ler. A narrativa é feita em terceira pessoa por diversas pontos de vistas.

"Ele sabe que está cometendo um erro. Não deveria estar aqui. Deveria ter se afastado um ano atrás, depois de uma noite diferente em uma cidade diferente, quando nada aconteceu de acordo com o plano. Quantos dramas estão se desdobrando ao nosso redor neste exato momento?" pág. 300

Espero que tenham gostado da resenha, e possam dar uma oportunidade. Agora me digam: conheciam O Mar Sem Estrelas? Ficaram curiosos? Deixa nos comentários!
Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Olá! Consideros os comentários como um termômetro para saber como vocês reagem ao meu conteúdo. Se gostou, não deixe de dizer e papearmos por aqui. :)

Ana Caroline

Olá, tudo bem? Prazer, me chamo Carol (na realidade Ana Caroline, mas ficamos com Carol!), sou formada em Nutrição pela UNIRIO e tenho 28 anos. Gosto de compartilhar com o mundo um pouco do que eu me apaixonei no universo literário, que é um vício criado na adolescência (culpado Crepúsculo!). Fã de fantasia e de romances (desde os dark até romance de época) e um pouco de suspense, o Leituras Diárias é um lugar onde mostro essa minha paixão pelos livros. Sejam bem-vindos!

Busca

Instagram

Recomendação!

[Resenha] Cinco Lâminas Partidas, Mai Corland

Populares

Seguidores

Arquivos

DomSegTerQuaQuiSexSab
Veja Todos os Posts do Mês

Visualização por trimestre

220,228
Tecnologia do Blogger.