Livro: Cinderela Está Morta
Autora: Kalynn Bayron
Editora: Galera Record
Páginas: 294
Gênero: Fantasia / LGTBQIA+ / Jovem Adulto
Nota: ⭐⭐⭐+ 0,5
*exemplar cedido pela editora*
Cinderela está morta há duzentos anos, e o conto de fadas acabou. Em um reino onde as mulheres são vistas como objetos, uma menina vai contrariar tudo e a todos para poder ter a escolha de amar livremente e decidir o próprio destino. Dois séculos após Cinderela ter encontrado o seu Príncipe Encantado, a magia parece ter abandonado o reino de Mersailles. Cinderela e a fada madrinha não passam de lendas, e o reino está há décadas sob o controle de reis tirânicos. Ao completar dezesseis anos, todas as jovens são obrigadas a participar do Baile Anual, onde os homens do reino vão para escolher jovens esposas. Não ser escolhida é uma sentença de ruína tanto para a garota quanto para a sua família. Sophia está se preparando para seu primeiro baile, mas o que realmente deseja é se casar com Erin, sua melhor amiga. No dia do baile, Sophia toma a decisão desesperada de fugir, indo parar no mausoléu da Cinderela. Lá, ela encontrará uma aliada inesperada, alguém com respostas para os mistérios envolvendo as lendas que giram em torno da mítica história da Cinderela. Juntas, elas vão enfrentar a tirania opressora do rei e de uma sociedade patriarcal que impede que as pessoas sejam livres. Cinderela está morta é uma versão moderna e feminista do clássico conto de fadas. Com uma protagonista negra e LGBTQ+, vai fazer os leitores questionarem as histórias que conhecem tão bem, e torcer para as garotas que têm a coragem e força de quebrar as barreiras de um mundo que insiste em tentar dizer quem elas deveriam ser e quem deveriam amar.
Sendo um livro único de fantasia com romance sáfico, Cinderela Está Morta foi uma leitura que adorei fazer. Kalynn Bayron apostou e inovou ao trazer uma nova cara a este conto que me acompanha desde a infância — e sou apaixonada — com características ímpares e singulares. Foi uma ótima experiência!
Sophia ao completar dezesseis anos, precisa participar do Baile Anual de Mersailles, para que algum homem do reino possa desposá-la. Não ser escolhida gera consequências irreversíveis tanto para a garota quanto para a família, desde a morte da mesma. Mas ela, nunca teve desejo de casar com algum homem, pois é apaixonada pela Erin, sua melhor amiga. Quando no dia do baile decide fugir dessa obrigação, Sophia acaba se deparando com o mausoléu da Cinderela, e encontra uma aliada que pode mudar seu destino e o do reino. Mersailles é regido pelo legado da história da Cinderela — mesmo que de forma deturpada — afinal, por causa do rei e homens tiranos, as mulheres são subjugadas e vista como meros objetos. Sophia entrará de cabeça no que verdadeiramente foi a vida de Cinderela, para que assim, possa mudar a realidade de Mersailles. Será que ela é capaz?
Por ser um livro de poucas páginas, menos de trezentas, esse é um tipo de enredo que não tardar a mostrar qual é o contexto, tendo um desenvolvimento que traz seus elementos e informações de mundo a medida que os acontecimentos transcorrem. Até porque, apesar da história da Cinderela ser de conhecimento da maioria dos leitores, a perspectiva da autora é bem diferente do que conhecemos contendo detalhes que precisam ser explicados, e minuciados para quem está lendo.
Pelo que tinha visto na premissa, estava a espera de uma fantasia focada no romance — até porque houve uma ênfase nessa característica quando divulgada — e consigo enxergá-lo nitidamente como um dos destaques da narrativa. É um livro que a autora tem a oportunidade de levantar bandeiras de representatividade LGTBQIA+ e do feminismo, então muitas das vezes, essas lutas sociais aliados ao romance podem sobrepujar os componentes de funcionamento desse mundo. E não falo isso sendo algo ruim, mas como aviso a quem espera algo mais do aspecto fantástico.
".... Também mal ouvimos falar de pessoas como nós, mas aqui estamos. Só porque eles fingem que não existimos, não significa que deixamos de existir." pág. 84
Sobre a personagem principal, podemos esperar várias ações e atitudes vindas da Sophia. Ela é extremamente motivada a mudar a realidade dela e das mulheres do reino, destemida quando está em busca de respostas e soluções para seus problemas, além de se apresentar forte mesmo nas adversidades e problemas. Desacreditada e desencorajada por muitos que estavam ao seu redor quando não concordava com alguma coisa, sinto que ela ganha liberdade para ser quem é quando encontra a companheira ideal — essa que da amizade, passar a ser amor.
A conjuntura até um pouco além da metade das páginas possuía uma candência que não me fez prever possíveis desdobramentos bombásticos, porém claro que fui feita de trouxa. Houve um plot twist totalmente inesperado, e mesmo sendo daquele tipo de leitor que adora teorizar os possíveis caminhos da trama, não passei nem perto de acertar qual seria a grande reviravolta do título, o que adorei!
O desfecho é condizente com toda trajetória construída, ainda que tenha a sensação dele ser apressado, principalmente, na questão em como essas resoluções atingirão o futuro do reino — as mudanças são bruscas, e esse fim deu a entender que todos concordaram sem grandes problemas, o que creio ser difícil. Apesar disso, o último capítulo consegue trazer um pouco dessa perspectiva de futuro de modo que conseguimos enxergar o futuro do reino. Cumpre o mínimo, nesse caso.
De uma forma geral, Cinderela Está Morta é uma ótima indicação para quem está a procura de um volume único de fantasia com altas doses de romance, aventuras e representatividade. Kalynn Bayron nos presenteia com um exemplar cheio de nuances que o destacam no gênero.
"Nunca fui boa em me diminuir — e talvez com Constance eu não precise fazer isso. Eu quero tirar o rei do trono, e ela vai me ajudar." pág. 128
Na parte física, a Galera Record manteve a capa original, o que foi uma escolha certeira — pois ela é bem bonita e faz jus ao seu conteúdo. A diagramação contém detalhes nos inícios de capítulos, além de um texto padronizado da editora, sendo espaçado e confortável de ler. Não encontrei nenhum erro de revisão, e a narrativa é feita em primeira pessoa pelo ponto de vista da Sophia.
Espero que possam dar uma oportunidade e gostem da indicação. E agora me digam: conheciam Cinderela Está Morta? O que acham da proposta? Leriam? Vamos papear nos comentários!