Livro: Desaparecidos em Luz da Lua #2
Série: A Passa-Espelhos
Autora: Christelle Dabos
Editora: Morro Branco
Páginas: 480
Gênero: Fantasia
Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐+💗
Segundo volume da série bestseller francesa A Passa-Espelhos, com mais de 500.000 cópias vendidas. Quando Ophélie é promovida a vice-contista, ela se vê inesperadamente jogada aos holofotes e escrutínio da corte. Seu dom, a habilidade de ler a história secreta dos objetos, é descoberto por todos, e não há maior ameaça aos nefastos habitantes de seu novo lar gélido do que isso. Sob os arcos dourados da capital do Polo, ela descobre que a única pessoa em que talvez possa confiar é Thorn, seu enigmático e frio noivo. À medida que influentes pessoas da corte começam a desaparecer, Ophélie se encontra novamente envolvida em uma investigação que a levará além das muitas ilusões do Polo e a uma temível verdade.
Todas as minhas expectativas para que A Passa-Espelhos pudesse ser uma excelente fantasia, foram concretizadas. Em Desaparecidos em Luz da Lua, segundo volume da série, a autora nos presenteia com um enredo sensacional, e que por enquanto é o meu volume favorito! Resenha sem spoilers.
A Cidade Celeste, finalmente, descobre que Ophélie é uma Animista prometida à Thorn. Agora com um novo cargo dentro da corte do espírito familiar Farouk, ela terá que aprender a lidar com essa sociedade um tanto emblemática. Afinal, a mesma mão que se estende para ajudá-la, é a mesma que pode derrubá-la sem volta. E se esse não fosse seu único problema, pessoas começaram a desaparecer misteriosamente, em que novamente, Ophélie estará envolvida nas investigações — até mesmo, sendo um alvo.
Se eu disser que não estava ansiosa para o desenvolvimento, estaria mentindo. Terminei o antecessor gostando desse ambiente de arcas, espíritos familiares, os diferentes tipos de dons e todos os pormenores que o envolve. E é fácil ser cativada quando esses contornos ganham profundidade e camadas, que dão maiores embasamentos a esse mundo criado. Saímos da Cidade Celeste para desbravar outros lugares, e apesar disso, não perdemos em nada a excelência na construção de ambiente, nos detalhes e informações pontuais para imaginarmos esse universo. Acredito que a autora estruturou muito bem toda a série, de forma que isso fica claro para o leitor quando vai conhecê-la — o crescimento natural a medida que os volumes surgem.
A mistura da fantasia com toques de suspense e mistério é um tipo de temática que particularmente sou atraída. A trama nos prende facilmente nos seus desdobramentos, o que deixa o leitor fissurado em finalizar a leitura para saber o que realmente transcorreu. Tenho como ressalva, o início das páginas serem lentos — a introdução do novo ciclo demora a engatar — porém, quando notamos que as situações começam a criar conexões e ramificações, esse andamento melhora.
"Thorn engoiou em seco contra o seu ombro.— Ah, e por sinal: eu te amo.Ophélie soltou um soluço sufocante de choro. Ela não conseguia mais falar. Respirar doía." pág. 446
Tenho que concordar que no quesito romance, agora enxergo melhor um relacionamento slow burn sendo concebido, e eu me rendi demais a esse casal. Não só ao casal em si, mas nos personagens que o compõe. Ophélie é uma grata surpresa, principalmente, pela questão de vê-la se encontrando, tendo autodescobertas e reconhecendo seu lugar no mundo. Em Os Noivos do Inverno me incomodei com seu lado submissa, e agora que consigo observar um crescimento pessoal nela, sinto orgulho.
Não me arrependo em tentar continuar a série a espera de uma evolução dela, pois no fim, isso aconteceu. Já Thorn, foi um protagonista que demorou a me conquistar, contudo alcançou esse patamar para ficar. Apesar de lhe faltar palavras certas e conversas mais diretas que deixam em claro seus sentimentos, suas atitudes e comportamentos tornam óbvio qual o caminho que suas emoções tomam.
O andamento me surpreendeu por ter resoluções e revelações que fogem do padrão, e existe a criação de uma conexão entre elementos da narrativa que é fenomenal. É um recurso que vem me ganhando dentro da fantasia, pois denota-se que contextos que tendem a passar desapercebido podem retornar de forma a tornar-se fundamental nos plots twist. E definitivamente fui impactada por essas reviravoltas, na qual muitas não imaginei chegando, e que faz com que a parte final do livro seja arrebatadora.
O desfecho tem a função de encerrar o ciclo instaurado neste volume, entretanto perguntas e questionamentos são deixados para os sucessores. É como se tivéssemos resolvido uma parte dos problemas, mas não ele no todo. E esse final... acho que nem nas minhas mirabolantes ideias pensei em algo do estilo. Me chocou!
"— O Outro causará o desarcamento das moronas.... o desmoronamento das arcas. Já começou e vai piorar. Quanto mais tempo o Outro ficar livre, mais o mundo vai desmoronar." pág. 456
De uma forma geral, se assim como ocorreu comigo — em que Os Noivos do Inverno não agradou — você estiver com dúvidas em apostar em Desaparecidos em Luz da Lua, te digo para ao menos tentar. As melhorias são visíveis e vejo que realmente a série fica encorpada e densa, no bom sentido. A Passa-Espelhos tem tudo para ser uma experiência sensacional daqui para frente, essencialmente, para os fãs de uma emocionante fantasia!
Na parte física, as capas são realmente lindas, então sou suspeita para falar. A diagramação é a padrão da editora Morro Branco — com texto espaçado e confortável de ler — além de conter índice, mapas, e um breve resumo do livro antecessor, o que ajuda muito ao leitor que esquece as coisas rapidamente. A narrativa é feita em terceira pessoa pelo ponto de vista da Ophélie.
Espero que tenham gostado, e possam dar uma oportunidade. Agora me digam: conheciam a série A Passa-Espelhos? O que acharam da proposta? Deixa nos comentários!
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