Série: Villains
Autora: V. E. Schwab
Editora: Grupo Editorial Record
Páginas: 364
Gênero: Fantasia / Jovem Adulto
Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐+💗
*exemplar cedido pela editora*
Uma história sobre ambição, inveja, desejo e superpoderes, da autora da série Tons de Magia. Victor e Eli, dois jovens brilhantes, arrogantes e solitários, se conheceram na Universidade de Merit e logo se deram bem, identificando um no outro a mesma sagacidade e a mesma ambição. No último ano da faculdade, o interesse em comum numa pesquisa sobre adrenalina, experiências de quase morte e poderes sobrenaturais lhes oferece uma possibilidade antes inimaginável: de que uma pessoa, sob as condições certas, seja capaz de desenvolver habilidades extraordinárias. No entanto, quando colocam em prática essa teoria, as coisas dão muito errado. Dez anos depois, Victor foge da prisão, determinado a encontrar seu antigo amigo ― agora inimigo. Para localizá-lo, ele conta com a ajuda de uma garotinha, Sydney, cuja natureza reservada esconde uma habilidade sem igual, mas extremamente perigosa. Enquanto isso, há dez anos Eli tem uma única missão: erradicar todas as pessoas ExtraOrdinárias que encontra ― exceto sua ajudante, Serena, uma mulher enigmática e persuasiva, capaz de impor sua vontade a qualquer um. Armado com poderes terríveis e movido pela lembrança da traição e da perda, Victor caça seu arqui-inimigo em busca de vingança e de um embate no qual sabe que um dos dois deve morrer.
Mais um livro favorito da Victoria Schwab! É impossível não se encantar pelos enredos da autora, que sem medo de se arriscar dentro da fantasia, nos apresenta universos ímpares.
Victor e Eli são dois jovens universitários que criaram um laço de amizade. Arrogantes e inteligentes, até demais, no último ano de universidade decidem fazer um trabalho envolvendo o âmbito da adrenalina. Eli decide ir à fundo e entrar na temática de experiências de quase morte (EQM), levantando a hipótese de que nesse nível de adrenalina as pessoas podem desenvolver poderes, originando um ExtraOrdinário (EOs). O problema? Realizar esses experimentos na prática sem acabar acidentalmente morrendo. E ao realmente tentarem, não sai como planejado. Dez anos depois dessas tentativas, muitos acontecimentos fizeram com que os dois fossem inimigos. Eli virou uma espécie de justiceiro, matando todos os EOs que encontra, e Victor passou anos na prisão por culpa de Eli. Quando liberto, converte seu objetivo de vida matar aquele que o colocou na cela, contando com a ajuda de pessoas que cruzam seu caminho. Isso o torna Vilão? Por que Victor foi preso? Quem é Eli?
Existem desenvolvimentos interessantes, e existe o desenvolvimento de Vilão. Nunca pensei que o contexto sobre adrenalina e experiências de quase morte entrelaçada a um quê de fantasia fosse me chamar atenção. No entanto, Victoria trabalha tão bem o enredo que é difícil não sentir curiosidade sobre o contexto. É algo que desperta interesse, que te prende a medida que descobre mais e mais sobre, e quando trabalhado de forma primorosa, que é esse caso, ganha destaques. Tópicos que envolvam aspectos da física não é de grande instigação pessoal, contudo a forma como é abordado, como traz as informações sobre o corpo humano chegando ao seu estresse limite e etc, é fenomenal — a autora sempre teve uma escrita boa, não posso negar, e aqui parece que triplicou. Tiro meu chapéu e arrisco a dizer que é minha parte favorita da obra.
Se não bastasse, temos dois protagonistas principais que são brilhantes. Construídos de maneira a não serem cem por cento bons ou maus, eles são como qualquer pessoa comum que tomam decisões erradas, agem por emoção, ficam em dúvidas, tem medos, momentos de raiva e de egoísmo, conquistando o leitor porque agem como seres humanos reais. Me identifiquei com o Victor pois absorvi maiormente suas justificativas e motivos para ser como é — o que não o absolve de ser cruel e até afiado — além disso, os personagens secundários a sua volta se destacam quando defrontados com aqueles que circulam no grupo do Eli.
"Alguém poderia muito bem se dizer um herói e mesmo assim sair por aí matando dezenas de pessoas. Outro poderia ser rotulado de vilão por tentar impedi-lo. Muitos humanos eram monstros, e muitos monstros sabiam fingir humanidade. A diferença entre ele e Eli, suspeitava, não era a opinião que tinham a respeito dos EOS, mas a forma de reagir a eles." pág. 286
Como era de se esperar, tivemos diversas partes intensas onde se constrói uma grande expectativa para o reencontro dos ex-amigos. Entregando tudo que podia, gostei bastante da forma como a história foi levada, culminando num resultado final espetacular. Acredito que não seja tão surpreendente pois um dos pontos chaves era algo entendível nas entrelinhas, entretanto a forma como foi usado me pegou de surpresa. Por sabermos que tem um sucessor, gera-se ansiedade para o que vem a seguir.
Temos um teor mais maduro na leitura, afinal, estamos lidando com uma fantasia adulta. O modo como ela descreve algumas cenas importantes não é de forma banal, tendo ações sangrentas, violentas que pode incomodar os mais sensíveis. Fora que pontuais assuntos necessitam de estômago forte, então comparativamente, esse com certeza livros com temáticas pesadas.
De uma forma geral saio elogiando primorosamente Vilão, e confirmando todas as minhas suposições sobre ele: favoritíssimo. Recomendo, demasiadamente, pois se você curte uma fantasia diferenciada, única e que tem tudo para te conquistar, essa é a opção certa! Venha refletir o que faz uma pessoa ser rotulada de vilão ou herói.
Na parte física, tomei um leve susto quando vi a escolha da capa já que só conhecia a versão americana. Apesar do choque inicial, gostei dela e achei super coesa com o conteúdo — tem relação com a mania de um dos protagonistas. Na diagramação temos detalhes diferentes que complementam o conteúdo, e ela é limpa, espaçada, sendo confortável de ler — padrão da editora. A narrativa é feita em terceira pessoa por vários pontos de vistas.
"Ele e Eli estavam ligados um ao outro, por sangue, morte e ciência. Eles eram iguais, agora mais do nunca. E Victor sentia falta de Eli. Queria vê-lo. E queria vê-lo sofrer." pág. 88
Caindo na obviedade, claramente quero o próximo urgentemente. Espero profundamente que a autora não me decepcione — quem leu as resenhas de Monstros da Violência sabem o meu receio com duologias dela — e que a mantenha em alta. Espero que tenham gostado da resenha!
E vocês: conheciam Vilão? Ficaram curiosos? O que acharam da proposta de ExtraOrdinários? Deixa nos comentários!