Autora: Katja Millay
Editora: Arqueiro
Páginas: 368
Gênero: Romance
Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐💗
Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐💗
Nastya Kashnikov foi privada daquilo que mais amava e perdeu sua voz e a própria identidade. Agora, dois anos e meio depois, ela se muda para outra cidade, determinada a manter seu passado em segredo e a não deixar ninguém se aproximar. Mas seus planos vão por água abaixo quando encontra um garoto que parece tão antissocial quanto ela. É como se Josh Bennett tivesse um campo de força ao seu redor. Ninguém se aproxima dele, e isso faz com que Nastya fique intrigada, inexplicavelmente atraída por ele. A história de Josh não é segredo para ninguém. Todas as pessoas que ele amou foram arrancadas prematuramente de sua vida. Agora, aos 17 anos, não restou ninguém. Quando o seu nome é sinônimo de morte, é natural que todos o deixem em paz. Todos menos seu melhor amigo e Nastya, que aos poucos vai se introduzindo em todos os aspectos de sua vida. À medida que a inegável atração entre os dois fica mais forte, Josh começa a questionar se algum dia descobrirá os segredos que Nastya esconde – ou se é isso mesmo que ele quer.
Admito que quando adquiri o livro, mal sabia do que se tratava seu conteúdo. Conheci ele através da indicação da Colleen Hoover quando veio ao Brasil para dar autógrafos, e em um dos seus bate-papos o citou. Hoje eu a agradeço por ter dado essa dica!
Nastya Kashnikov é uma garota com um passado atribulado que não gosta de utilizar palavras. Ela não fala. Ao se mudar para a casa da tia, e consequentemente para um novo colégio, ela acaba conhecendo um garoto tão introspectivo quanto ela, chamado Josh Bennet. Ele perdeu todos os membros da sua família, e por isso se tornou um ser humano solitário. Natsy e Josh são duas mentes atormentadas pelos seus traumas que acabam se conectando. Seriam eles capazes de aguentar o pior um do outro?
Instigante, emocionante e dramático são algumas das palavras que posso definir esse enredo, onde inevitavelmente você acaba adentrando nas dores dos personagens. Nossa protagonista é uma menina que passou por uma tragédia e que, por vontade própria, não quer ser curada se escondendo atrás de diversas facetas. Já Josh, é um garoto que prefere ser sozinho, impedindo assim que tenha aflições próprias. Somos sensibilizados a perceber que ao decorrer das páginas, um acaba se encontrando no outro e uma ajuda mútua é construída — que mais tarde se desenvolve em algo maior. O fato do contexto trazer uma narrativa com os pontos de vista intercalados entre eles é importante, pois a partir desta perspectiva mais profunda, descobrimos junto deles as angústias e indecisões internas.
E falando um pouco mais dessa dupla principal, são duas pessoas complexas e densas na medida certa, fazendo com que eles transmitam toda a dramaticidade necessária para a conjuntura. A história não é sobre um amor repentino querendo que um seja o herói do outro. Não é um exemplar sobre o ato de salvar o próximo, mas um exemplar sobre o ato de aprender a se salvar. Não existe príncipe ou princesa na trama, e sim dois seres humanos querendo encontrar primeiramente a felicidade individual de viver, para que posteriormente possam entender o que é um relacionamento. Eles vivem um dia de cada vez. Eles querem compreender todas as formas de amar.
"Eu vivo num mundo sem magia nem milagre. Um lugar onde não há clarividentes nem metamorfos, anjos ou garotos super-humanos para nos salvar. Um lugar onde as pessoas morrem e a música se desintegra e tudo é um saco. O peso da realidade nos meus ombros é tão grande que às vezes me pergunto como ainda consigo erguer os pés para caminhar." pág. 36
Além disso, temos coadjuvantes muito engraçados. Drew e Clay me fizeram rir demasiadamente — então sim, é uma leitura que mistura muito choro e risos — e creio que a obra não pretendia trazer essa pegada "alegre", porém as atitudes e personalidades eram impagáveis e se destacaram.
O final chega com uma mistura de angústia e alívio. Sem dúvidas é o ápice, e não me recordo de uma leitura de romance ter me deixado tão tensa nas páginas finais — para acalmar corações desesperados como o meu, adianto que a trajetória retorna ao seu caminho natural e esperado. Ainda assim, não deixamos de sofrer.
De uma forma geral, Mar da Tranquilidade nos faz refletir sobre assuntos como segundas chances, sobre aprender a perdoar, seguir em frente, libertação e primordialmente amadurecimento. Vários elementos importantes são trabalhados. É um dos poucos YA que eu realmente me apeguei, e na última releitura passei amá-lo ainda mais fortemente — foram 4 anos desde que li pela primeira vez. Indico demais para os fãs de romances young adult e que apreciam uma narrativa única!
Na parte física, gosto da dualidade de informações da capa que combina com seu conteúdo — inclusive é idêntica a original. A diagramação é a padrão da editora Arqueiro, e não tem a inclusão de muitos detalhes e ou pormenores na parte interna. Não encontrei erros de revisão ou ortográficos.
"— Obrigações demais. As pessoas gostam de dizer que o amor é incondicional, mas isso não é verdade. E mesmo que fosse incondicional, o amor nunca é de graça. Sempre vem acompanhado de uma expectativa." pág. 196
Espero que tenham gostado e deem uma oportunidade! Agora me digam: conheciam Mar da Tranquilidade? Ficaram curiosos? Leriam? Deixa nos comentários!