Autora: Penelope Douglas
Editora: The Gift Box
Páginas: 476
Gênero: Harém Reverso / +18 / Romance
Nota: ⭐⭐⭐+ 0,5
Tiernan de Haas não liga para mais nada. Filha única de um produtor de cinema e sua esposa estrela, ela cresceu com riquezas e privilégio, mas sem amor ou orientação. Enviada para colégios internos desde cedo, era impossível escapar da solidão e criar uma vida para si própria. A sombra da fama de seus pais a segue por todo lugar. E quando eles morrem de repente, ela sabia que deveria estar devastada. Mas alguma coisa realmente mudou? Ela sempre esteve sozinha, não esteve? Jake Van der Berg, meio-irmão de seu pai e seu único parente vivo, assume a guarda de Tiernan, que tem mais dois meses até os dezoito anos. Indo morar com ele e seus dois filhos, Noah e Kaleb, nas montanhas do Colorado, ela logo aprende que esses homens agora têm opinião sobre o que ela escolhe se importar ou não. Com os três a colocando debaixo de suas asas, ensinando a trabalhar e sobreviver nas florestas remotas, distantes do resto do mundo, ela lentamente descobre seu lugar entre eles. E como parte deles. Ela também percebe que as linhas ficam borradas e que regras se tornam fáceis de serem quebradas quando ninguém está olhando. Um deles a tem. O outro a quer. Mas ele... Ele vai ficar com ela.
Credence é um tipo de livro que traz muitas polaridades aos leitores: ou você ama cem por cento, ou você realmente não gosta. Na minha opinião, Credente é um dos livros mais emblemáticos dela, não pela presença de algo estilo harém-reverso, mas pela escolhas que ela faz com seus personagens. É com certeza, uma nova faceta da escrita da Penelope Douglas.
Tiernan acaba de perder os pais. Eles se suicidaram, juntos. E sendo ainda menor de idade, ela precisará morar com seu novo guardião, seu tio por parte de pai, até completar os 18 anos — faltam poucos meses para completar a maioridade. E na verdade, Jake dá a opção dela morar com ele e os seus dois filhos, ou a de seguir em frente sem eles. Porém, Tiernan não encontrou seu lugar no mundo. E mesmo não querendo admitir, a morte dos seus pais a abalou. Nada melhor do que ir para um lugar de difícil acesso a internet, um lugar longe da mídia em uma casa no meio do nada, para pensar e refletir sobre sua vida.
Acredito que desenvolvimentos de romance com mais de quatrocentas páginas seja algo arriscado. Isso porque, em algum momento, a experiência pode tornar-se cansativa. Os títulos do gênero possuem estruturas de narrativa semelhantes, e a partir do momento que você desvia desse "padrão", reações inesperadas dos leitores são mais suscetíveis — tanto positivas quanto negativas.
Credence, felizmente, quebra esse molde porque o enredo de quatrocentos e setenta páginas tem coerência. Apesar, de que tenho a sensação de que específicos pontos se alongaram mais que o necessário. O importante, é que existe uma construção coesa. É preciso passar por todas as etapas da evolução pessoal da Tiernan, para compreender sua escolha final.
"Mas engulo as palavras, antes de dizê-las. As mortes deles não são o motivo e eu ser como sou, mas não vou me explicar apenas porque todos os outros têm uma ideia do que o "normal" deveria ser." pág. 90
Tiernan é uma personagem de dezessete anos — quase dezoito — complexa. Sua personalidade e comportamentos não fogem do esperado para uma adolescente em ebulição, exacerbando emoções, no entanto existe uma aura de receios um tanto distinto. O fato de não ter assimilado os questionamentos pessoais, fez a minha conexão com ela ser extremamente fraca. Não só com ela, como também quem vem a ser seu par.
Eu não me apeguei à aqueles que tornam-se peças-chave do contexto, e quando esse tipo de entrelace não ocorre, dificilmente o livro me conquista na totalidade. É como se faltasse algo. Sinto que a história ganha intensidade, aflições e inquietações que na realidade existem alternativas e resoluções mais simples. E quando essa questão é unida ao fato de que também não gosto da decisão final da Tiernan, fico frustrada com o enredo.
Com a leitura tendo altos e baixos, os ápices do livro são quando Noah e Jake aparecem nas cenas: um trazendo diversão nas interações, e o outro as experiências vividas. Não consigo enxergar uma marcante reviravolta que tenha feito mudanças drásticas na trajetória, afinal, as coisas são elaboradas de forma a entendermos os próximos passos — ou pelo menos supor o que estar por vir. Se está acostumado com os exemplares da Pen, sabe que as cenas hots dela são insuperáveis. De verdade, pega fogo — lembrem que eu falei que é estilo harém-reverso rs.
De uma forma geral, talvez eu não tenha captado a intenção de Credence. Adoro a escrita da Penelope Douglas, porém aqui não funcionou comigo. As expectativas foram mais altas do que o entregado. O que não impede, de outras pessoas terem amado — e sei que tem várias que gostaram!
"— Você não está magoada com seus pais — declara, por fim. — Você os amava." pág. 91
Na parte física, a capa segue a pretensão da original, e é representa bem seu conteúdo — esse ambiente de floresta e árvores densas se relaciona com o local da casa do Jake. Na diagramação temos o padrão da editora: textos espaçado e confortável de ler, com detalhes nos inícios de capítulos. Não encontrei erros de revisão. A narrativa é feita em primeira pessoa pelo ponto de vista da Tiernan, e outros esporádicos.
Agora me digam: leriam Credence? Ou já leram? O que acham da temática harém-reverso? Deixa nos comentários!