Livro: A Canção das Águas #1
Série: Jornada das Águas
Autora: Sarah Tolcser
Editora: Plataforma 21
Páginas: 432
Gênero: Fantasia
Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐+💗
Caroline Oresteia está prometida ao rio. Por gerações, sua família ouviu o chamado do deus do rio, que guiou suas embarcações em incontáveis viagens pelas terras fluviais. Aos dezessete anos, Caroline está preparada para conhecer seu destino, após anos ouvindo a voz das águas. Mas o deus do rio ainda não falou o seu nome – e se ele não o fez até agora, existe uma chance de que nunca o fará. Ela decide tomar as rédeas de seu próprio destino quando seu pai é preso por se recusar a transportar um caixote misterioso. Ao concordar em fazer a entrega em troca de sua liberdade, Caroline é pega em uma rede de políticas e mentiras, sem a ajuda do deus do rio e com perigosos piratas atrás da carga. Com tanta coisa em jogo, ela precisa escolher entre a vida que sempre quis e a que nunca imaginou para si.
Sou suspeita para falar de fantasias com temática de piratas, e Sarah Tolcser nos leva profundamente ao universo marítimo, repleto de navios, seres do mar, lendas e aventura. A Canção das Águas surpreende e conquista fãs do gênero com uma proposta diferente e envolvente.
Caroline Oristea faz parte do povo das barcas. Criada em meio às águas, aos barcos e à tripulação marítima, aos 17 anos ela ainda não ouviu o chamado do Deus do Rio — um dom que sempre esteve presente em sua família, passado de pai para filho. Quando seu pai é preso por se recusar a transportar uma carga misteriosa, Carô decide assumir a missão em seu lugar para salvá-lo da prisão. Mesmo sem a ajuda divina, ela resolve enfrentar essa jornada sozinha.
O que Carô não esperava é que o simples ato de transportar uma carga mudaria completamente sua vida. Envolvida em uma trama política e amorosa, ela passa a correr riscos constantes, colocando em perigo a si mesma e todos ao seu redor. Afinal, que carga misteriosa é essa? Qual a real importância dessa missão? E será que, enfim, o Deus do Rio irá tocá-la?
Nunca havia entrado em um enredo tão específico quanto este. Repleto de termos próprios do cotidiano de quem vive e trabalha em embarcações, a ambientação foi, inicialmente, um pouco difícil de absorver. Isso acontece porque nomes, objetos e elementos náuticos surgem sem explicações diretas na narrativa, ficando a critério do leitor buscar esse entendimento. Na minha opinião, um glossário teria sido extremamente bem-vindo — e faz falta em alguns momentos. Situações envolvendo ajustes no barco ou a diferenciação entre modelos de embarcações podem gerar certa confusão para quem não possui conhecimento prévio. Ainda assim, após essa adaptação inicial, o desenvolvimento flui muito bem e se torna cada vez mais envolvente.
“Existe um deus no fundo do rio. Algumas pessoas podem lhe dizer que isso é só uma história. Mas nós, povo das barcas, sabemos que não é bem assim.”
A mistura entre elementos mágicos — como deuses do rio e do mar — e a ambientação náutica foi certeira. Sarah Tolcser soube entrelaçar esses aspectos de forma natural, como se um não existisse sem o outro. A construção de um mundo próprio a partir dessas bases dialoga diretamente com leitores que buscam algo fora do comum. Soma-se a isso um romance desenvolvido de maneira gradual — algo que, particularmente, adoro — e temos uma narrativa ainda mais interessante.
Carô foi uma grande surpresa para mim. A idade da protagonista inicialmente gerou certo receio, já que personagens nessa faixa etária costumam carregar emoções intensas e, por vezes, exageradas. Porém, aqui vemos um amadurecimento construído por meio de ações e decisões coerentes. Forçada a crescer pelas circunstâncias, Carô lida bem com os desafios que surgem em seu caminho. Existem pequenas discrepâncias quando o romance começa a florescer, mas nada que comprometa a experiência.
Um dos maiores pontos positivos do livro é a quantidade de aventuras e situações tensas. São raros os momentos em que a narrativa desacelera — desde as primeiras páginas já percebemos uma movimentação constante, deixando clara a proposta do volume. Espere reviravoltas eletrizantes e muitos momentos de leitura com a respiração presa.
O final surpreende, ainda que caminhe para algo possível de se prever. Ele encerra bem o ciclo apresentado, mas deixa um gancho instigante para o próximo volume — sim, leitores, trata-se de uma duologia. Confesso que fui surpreendida positivamente, especialmente por ter ouvido alguns comentários negativos antes da leitura. Entrei sem grandes expectativas e terminei completamente envolvida.
“— A magia não torna um homem mau — disse ele. — É apenas uma habilidade. Não é inerentemente boa nem má. É o que há no coração que o torna mau, como acontece com todo mundo.”
De forma geral, fãs de fantasia podem esperar um verdadeiro prato cheio de emoções. Se piratas, embarcações e aventuras em alto-mar chamam sua atenção, A Canção das Águas é uma escolha certeira. Apesar das ressalvas, favoritei a obra pela construção do enredo, pelo universo criado e pelos personagens que me conquistaram. Mais do que recomendado!
Na parte física, a Plataforma 21 entregou! A capa é lindíssima e foi o primeiro elemento que me chamou atenção, e o interior não fica para trás. O mapa auxilia bastante na leitura, e os detalhes no início dos capítulos enriquecem a edição. Reforço apenas a ausência do glossário, que facilitaria a compreensão de alguns termos, embora entenda que tenha sido uma escolha da autora. A narrativa é feita em primeira pessoa, pelo ponto de vista da Carô.
A Canção das Águas é daquelas fantasias que nos arrastam junto com a maré. Entre deuses, magia, intrigas e aventuras em alto-mar, a história cresce, ganha força e nos deixa completamente imersos nesse universo singular. Quando o livro termina, não é só a curiosidade pelo próximo volume que fica — é a sensação de ter vivido uma grande jornada. Se você busca uma fantasia diferente, intensa e cheia de movimento, essa leitura pode te surpreender tanto quanto me surpreendeu. 🌊✨ E você, embarcaria nessa aventura? Me conta nos comentários!