Livro: A Tempestade de Ecos #4
Série: A Passa-Espelhos
Autora: Christelle Dabos
Editora: Morro Branco
Páginas: 475
Gênero: Fantasia
Nota: ⭐⭐⭐
Tentando esconder seus verdadeiros sentimentos, Ophélie e Thorn embarcam em uma jornada a fim de compreender os indecifráveis códigos de Deus e a verdade por trás da misteriosa figura do Outro, cujo poder devastador está destruindo o mundo: Babel, Polo, Anima… Nenhuma arca é poupada e milhares de inocentes são arremessados contra um vazio infinito. Mas como encontrar o Outro sem saber como ele é? Se Deus tem milhares de identidades, o Outro não tem nenhuma. E a busca pelo desconhecido os leva ao Observatório dos Desvios, um instituto envolto em segredos e responsável por experimentos monstruosos. Ecos do passado e do presente indicam uma possível chave à resolução dos enigmas, mas serão Ophélie e Thorn capazes de encontrar as respostas que irão cessar a matança e a destruição, trazendo equilíbrio de volta ao mundo?
A Tempestade de Ecos é o último volume de A Passa-Espelhos e confesso que termino a série com sensações e sentimentos agridoces. Não torna-se um favorito entre títulos da quadrilogia — ficando com Desaparecidos em Luz da Lua e A Memória de Babel — no qual, as expectativas não foram atendidas. Esperava bem mais!
Chegamos ao capítulo final de Ophélie e Thorn, atrás de respostas sobre a criação do mundo e as enrascadas que se meteram. Como tudo realmente começou? Quem é o Outro? Como achá-lo ou contatá-lo? Como encontrar a Eulalie? A única certeza é que os Ecos podem ser a chave dessas perguntas e as respostas de todos os problemas. Ophélie e Thorn conseguirão salvar suas arcas e o mundo do desastre?
Assim como os antecessores, temos um desenvolvimento que demora a demonstrar seu ponto principal. Apesar desses capítulos finais da trama pensarem no enredo como um todo, o enredo começa gradativo e com ares introdutórios, ganhando somente dinâmica e rapidez do meio para o final. O que me surpreende por aqui, é o fato da Christelle Dabos ainda conseguir expandir esse universo, indo muito além.
As explicações para os contextos, acontecimentos e a forma como esse mundo funciona, são sensacionais. A complexidade de elementos é interessante e nos prende ao observarmos as peças desse grande quebra-cabeça se encaixando. Nesse ponto, relacionado maiormente à fantasia, a entrega total é perceptível e condizente com as ansiedades geradas. Nada caí no óbvio. Todos os ciclos e circunstâncias ganham ponto final, o que deixa o leitor fã do gênero, feliz.
"A jovem abriu os olhos. Um canteiro de obras se estendia a frente até perder de vista, nos mínimos detalhes, como se ela estivesse de óculos. E estava mesmo. Só que não eram os dela. Eram os e Eulalie Deos." pág. 135
No entanto, se por um lado o andamento pode ser considerado perfeito e ideal, do outro constrói-se algo amargo. O romance era uma tópico que aparecia pontualmente dentro da história, e tinha sim seus momentos de destaques. Acreditar que os leitores não esperariam um desfecho bom para esse cenário, seria uma mentira. Quem gosta de romance, espera sempre um final feliz, na minha opinião. É por isso que o jeito como ele foi concluído, não me agradou — assim como ocorreu com outros leitores que conversei. Não quero dar spoilers acerca, porém se eu soubesse como tudo terminaria, teria me apegado menos a temática. E é por este motivo que o livro não atendeu minhas expectativas.
Sobre os personagens, é indiscutível a evolução de Ophélie e Thorn ao longo dessa trajetória. Meus olhos brilharam de orgulho em ver esses protagonistas crescerem, amadurecem e não serem os mesmos que iniciaram a jornada em Os Noivos do Inverno. A vista disso, fica um quê de tristeza ao perceber que toda esse caminho percorrido, não fecha como imaginei. Por tudo que passaram, mereciam mais. Mereciam ter um pouco de paz após toda a turbulência.
Como disse anteriormente, as coisas começam ganhar fluidez e potência próximo das páginas finais, o que faz com que seguremos a tensão até as últimas linhas. Percebe-se que houve uma preocupação em completar todos os questionamentos, dúvidas e hipóteses levantadas ao longo da série, e que dá a sensação de narrativa encerrada. Senti falta de um epílogo com perspectivas futuras, contudo da maneira como findou, não tinha espaço para algo ser inserido.
De uma forma geral, Tempestade de Ecos é um bom volume para A Passa-Espelhos. Apesar de estar longe de ser perfeito, tem seus instantes de ápice e concede uma resolução ideal para tudo que acompanhamos ao longo dos quatro volumes — menos, no quesito romance. Se chegou até aqui, vale a pena ler ele!
"Ao olhar de relance através dos vidros do trem, surpreendeu um sorriso no próprio reflexo. A princípio, achou que tivesse sorrindo de nervoso, até entender que não era ela quem sorria...." pág. 382
Na parte física, a capa segue o padrão visto antes, e é bonita. A diagramação é a padrão da editora Morro Branco, com textos com bom espaçamento e confortável de ler. E além da recapitulação rápida do terceiro volume, temos um glossário com os personagens da série. Achei essa inserção legal, pois compila todos os importantes nomes que conhecemos ao longo das leituras. A narrativa é feita em terceira pessoa, majoritariamente, pelo ponto de vista da Ophélie.
Espero que tenha gostado da resenha. Agora me digam: conheciam A Passa-Espelhos? Irão ler a série? O que acharam da proposta de A Tempestade de Ecos? Deixa nos comentários!
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